Tchau, chupeta! Olá, 'crise dos 3 anos'!


Deu certo. Está dando certo. Diariamente. Mesmo quando dá tudo errado. Confuso? Chama-se maternidade. 

Começo relembrando a saga da chupeta. Minha intenção era fazer com que o processo fosse o menos doloroso possível, portanto progressivo e respeitando o tempo dela. E nessa parte eu posso dizer que cheguei lá. Conversei bastante, "preparei o terreno", disse centenas de vezes que ela estava passando para uma próxima fase, que não era mais bebê, que estávamos na contagem regressiva para os três aninhos. Reforcei positivamente com a chegada da festinha de aniversário. Sobre isso, não sei quem estava mais ansiosa, ela ou eu.

Então, o pacote estava formado para dar tudo certo. Frases positivas sobre o que estaria por vir somada à parte lúdica (com a "fada da chupeta" que trouxe um brinquedo, o dinossauro-rex que ela queria, como recompensa) fizeram toda a diferença. Com o ingrediente extra: tirei duas semanas de férias do trabalho. Sim, resolvi dividir as minhas férias para: 1. aproveitar uma semana das férias escolares dela. 2. tornar o processo da retirada da chupeta ainda mais leve e acolhedor. O resultado foi que eu não descansei nada, só acumulei olheiras, mas... não é sobre mim, né?


Melhor dizendo, é sobre tudo. Sobre, principalmente, eu ter me preparado também para isso. Porque eu sabia que não adiantaria nada planejar retirar a chupeta da criança em x dias, se eu não preparasse o meu psicológico previamente. Então, antes de iniciar o processo com ela, defini em mente que, acontecesse o que acontecesse, haveria dose extra de paciência e cuidado. Foi uma decisão minha oferecer a chupeta quando nasceu. Foi uma decisão minha agora tirá-la aos 3 anos. Então, que eu agisse como a adulta da história que sou, certo?

Com isso bem estabelecido, me preparei para uma semana de choro e abstinência. Mas foram, na verdade, apenas três noites de resmungos. No primeiro dia, ela já estava aparentemente bem sem a chupeta. No segundo, nem perguntou mais. Como foi progressivo, percebi que sentia mais falta à noite. Mas tentei substituir essa falta por mais colo e abraços. E tempo e atenção. Estava em férias, então nada mais importava a não ser brincar com ela e fazer com que o espaço antes ocupado pela chupeta ficasse cada vez mais menor. Com três dias, era como se nunca tivesse usado chupeta antes. Incrível.

A situação só não foi considerada perfeita porque em três dias o adeus à chupeta foi trocado pelo "bem-vindo a mais um ciclo viral". Ela ficou gripada, reclamando de dor no ouvido, dor de cabeça... a mesma história que estávamos cansadas de vivenciar nos últimos meses desde a entrada do inverno. Fomos ao otorrino, mais uma rodada de antibiótico, um passeio rápido no Campo de São Bento e vida que seguiu. 

A fada da chupeta


A fada da chupeta é prima da fada do dente. Era a referência que ela tinha, já que é "mais famosa", está em vários desenhos. Pois bem. Essa fada escreve uma carta para toda criança que está próxima de completar três anos de idade. E aí, ela deixa uma caixa na casa da criança pra que deixe a chupeta, que será levada para a Terra das Chupetas, para os próximos bebês que irão nascer. Quase um roteiro Netflix.

No lugar da chupeta, a fada deixa, sempre no dia seguinte, um brinquedo. Maria Flor está na fase de amar dinossauros, então foi o que pediu. Para deixar a história ainda mais convincente, pedi para que o pai lesse para ela a tal carta da fada. 

Na manhã seguinte, a reação dela ao ver o dinossauro na caixa? Não teve preço. Ela quis levar o dinossauro para tudo quanto é lugar, inclusive para a escola. 

Por que tirar aos 3 anos?

Claro que houve questionamentos. "Tadinha, que pecado". "Deixa quando ela tiver maiorzinha", "Se ela tiver que ficar dentuça, vai ficar de qualquer jeito". Primeiro de tudo. Por que oferecer a chupeta? Eu sempre tive em mente que, pela lógica de que cada criança é única, a minha maternidade também seria, então, "apoios, apoios, palpites à parte". Quando estava grávida, li bastante a respeito e decidi que esperaria até saber como ela viria, qual seria sua personalidade e temperamento. Não deu outra. Maria Flor demonstrou já na maternidade que seria bem diferente da mamãe calminha aqui. O primeiro choro perdendo fôlego pegou de surpresa até a enfermeira. 

Aí, com o recurso de acalmá-la com a chupeta, não vou usar? Duvido. Desde então, desmistifiquei algumas lendas que me assombravam como:

"Pode atrapalhar a amamentação". Não atrapalhou, amamentei até 1 ano e 8 meses; 

"Pode atrapalhar a fala". Não atrapalhou, quem a conhece sabe que tem a dicção dentro do esperado (ou além!) para uma criança de 3 anos;

"Pode atrapalhar a mastigação". Pode, assim como fazer a introdução alimentar de forma não planejada, não esperar o tempo da criança etc.

"Pode entortar os dentes". Pode, principalmente se mantiver o uso frequente da chupeta por muito tempo além dos 3 anos. Se tiver predisposição genética. Se... se... são muitos "ses" e estou falando de fatos, não desculpas.

Nas duas semanas que seguiram, teve Maria Flor muito falante, reclamona, chorosa - por vários motivos - mas as noites foram bem mais tranquilas do que imaginei. Na escola, pelo que soube também foram somente uns dois dias de abstinência da chupeta. Depois vieram festinha junina (ela foi terceira rainha da festa, uma surpresa geral!), festa do aniversário, desfralde noturno...um eita atrás do outro.

Mas, felizmente, sobre a chupeta, adaptação concluída com sucesso, seja lá o que "sucesso" signifique nesse caos delícia chamado maternidade e primeira infância. 

Próximo post farei sobre o 'terrible three', 'tantum three' ou apenas 'a crise dos 3 anos'. Estamos nela! Salve-se quem puder.

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