Nossos espelhos
"O filho reflete a energia da mãe". No mesmo dia que Cyntia me falou essa frase ela também me chamou para escrever para o blog dela. E aqui estou escrevendo, no mesmíssimo dia, em plena madrugada de segunda-feira.
A frase acima foi dita no final da tarde do primeiro domingo de julho de 2023, após um show do Mundo Bita, onde guardamos nosso rotineiro cansaço e levamos as crias para viverem magia e diversão.
E é sobre isso que vou escrever na minha primeira colab ao cantinho da minha segunda escritora preferida (ela sabe que a primeira é Agatha, ela não pode roubar esse lugar. Ainda!).
Quantas vezes nós nos guardamos pelos nossos filhos, não é mesmo? É a unha que fica por fazer para guardar o dinheiro. O lanche que não comemos para guardar para a cria. O sono que não colocamos em dia, o banho corrido, a vontade de ver uma série, um filme, um livro... A gente se guarda, e acho que é normal. Mas, a minha luta mesmo é para nunca esquecer onde me coloquei.
Tal qual aquela camiseta que a gente ama, mas que na hora de usar nunca sabemos bem onde ela está, sabe? Então!
Eu, semanalmente - tentando tornar uma rotina diária - me procuro. Me tiro do fundo da gaveta de mãe e me encontro com a Renata que ainda sou, ou a que posso ser, ou até mesmo a Renata que eu gostaria de me tornar. Não sei direito ainda, mas tento me achar como Renata e não como a mãe do Tiago.
Ser mãe é maravilhoso, ser mãe do meu 'mini-mim' é algo indescritível. Tiago, que fez quatro anos agorinha, é a criança mais incrível que eu já convivi. Ele chegou para mim como um presente de Deus, um ano depois da morte do meu pai.
Era exatamente meu sonho de criança se tornando realidade. Um menino cheio de energia, de empatia e de amor. Tiago veio para me apresentar o sentido da vida. E é aí que vem outra barra interna.
Se foi tão planejado, tão amado, tão esperado, como pode ser tão pesado o maternar?
E que ser mãe é fácil, amigas. Difícil mesmo é viver a maternidade. E nessa busca incessante de fazer o outro feliz, a gente acaba indo embora. Fica a casca, a imagem de uma mãe vazia, cansada e sem vida.
Aquela conhecida de infância que passa na rua e vc diz que ela se acabou depois que virou mãe, sabe? Talvez ela só tenha se perdido de si.
A maternidade é pesada, é solitária, é cruel e não tem receita. Maternar é fazer prova de final de ano todos os dias, sem chance de repetir de série. Criar filhos com amor, zelo e respeito requer uma tribo, mas, muitas vezes, é feito por uma loba solitária que entre se perder ou perder a chance de criar um filho, ela se agarra na segunda opção e esquece de si.
Só que a vida dá sinais. A Cyntia hoje me lembra que aquele menino que dançou o show quase todo, que grita "uhul" ao final das músicas e que tem a gargalhada mais espalhafatosa do universo, se espelha em mim.
Ele é como eu, só que em miniatura. Eu sou o espelho dele, assim como meu pai sempre foi o meu.
E eu não posso me perder de mim, pois tem alguém que me olha todos os dias querendo ser igual à mãe.
Espero que todas as mães tenham outras Cyntias no caminho para te mostrar quem você é quando você estiver guardada por tempo demais.
Ah! No final do domingo, ele me abraçou e disse que quando crescer quer ter duas profissões: astronauta e jornalista.
Que ele se agarre na primeira, porque a segunda profissão só dá raiva, ranço e boas histórias. Mas essas histórias, amigos, eu conto para ele todas as noites e faço ele perceber que nem sempre o mundo é bom, mas que sempre fica melhor quando estamos pertinho de quem amamos!
Renata Sena


É isso, o tal padecer no paraíso. A gente sofre, a gente ri e se diverte, por amor. Parabéns!
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